Infelizmente, este CD não foi lançado, ainda. Já comentei de uma música deste extraordinário trio de jazz instrumental aqui no blog (Tema dos 18), e agora estou fazendo este post falando sobre o que poderia ser um maravilhoso álbum de jazz instrumental.O Papo é Música
Domingo, Abril 08, 2007
Fuzuê - Fuzuê
Infelizmente, este CD não foi lançado, ainda. Já comentei de uma música deste extraordinário trio de jazz instrumental aqui no blog (Tema dos 18), e agora estou fazendo este post falando sobre o que poderia ser um maravilhoso álbum de jazz instrumental.As nove músicas gravadas desta banda formariam um disco de jazz instrumental com blues, rock e música brasileira. Esta mistura, que falada pode parecer estranha, na prática deu bastante certo e criou um som que é peculiar, que é do Fuzuê.
E isto fica bastante claro quando ouvimos músicas como Alegria Séria e Baião do Querosene. A primeira é suingada e tem uma percussão bastante brasileira. Ainda sim, é possível reconhecer toda a base de jazz e as improvisações em cima do tema principal, mostrando que o grupo não deixa de lado sua raiz de jazz instrumental. O mesmo acontece em Baião do Querosene, onde a mistura acontece entre o jazz, o rock e, claro, o baião.
E assim, cada uma das nove músicas da banda tem sua característica própria e é bastante diferente uma da outra, apesar de ter o jazz como seus fios condutores.
Quem quiser baixa-las, clique aqui e vá para a página de músicas do guitarrista da banda, Paulinho Guita. Lá você encontra as nove músicas e mais algumas de outras bandas que o cara faz parte. Tem de baixar: maravilhosas, de graça e é produção nacional!
..: Love In Vain - Rolling Stones
Composta por Robert Johnson (já comentado aqui no blog, por If I had Possession Over Judment Day), e regravada pelos Rolling Stones no álbum Stripped (1995), Love In Vain é uma música divina. Sua versão original já é muito boa, porém os Stones conseguiram torná-la esplêndida!Gravada de forma acústica, o novo arranjo fez da música uma balada blues linda, com nuâncias entre os acordes dedilhados e riffs e Keith Richards e o violão dinâmico tocado com slide de Ronnei Wood. E são os dois que ditam o clima e a dinâmica da música. Charlie Watts (baterista) e Darryl Jones (baixista) fazem a cama, enquanto Mick Jagger canta... daquele jeito que já conhecemos.
E quando digo que o que faz a música são os dois guitarristas, não estou exagerando. Reparem na introdução que Richards cria para Love In Vain (a original não é deste jeito), o jeito que ela mescla riffs de Delta Blues e rock'n'roll, ao mesmo tempo que cria uma atmosfera amorosa e triste, condizente com a letra. Outro aspecto que deve ser ouvido atenciosamente são as formas com que Ronnie passeia pela melodia com riffs formados com slide, dando mais cara de blues antigo à música, e uma sensualidade e dor maravilhosas.
Este vídeo mostra como a música foi gravada. Além de ser uma ótima opotunidade de conhecer (pra quem não a conhece), é muito interessante ver como uma banda milhonária faz seu processo de gravação ao vivo, em estúdio. (Devido à impossibilidade criada pelo YouTube de colocar o vídeo direto no blog, quem quiser ver, clique aqui)
Obrigatória em qualquer jukebox.
Quarta-feira, Abril 04, 2007
§ Notícia: Quer rock? Toma!
E ainda dizem que Stones não é a maior banda de rock de todos os tempos.... quer atitude mais rock'n'roll??Guitarrista diz que cheirou as cinzas do pai com cocaína
O guitarrista Keith Richards, 63 anos, da banda Rolling Stones, disse em entrevista ao semanário NME nesta terça-feira que misturou parte das cinzas de seu pai, morto em 2002, com cocaína. "A coisa mais estranha que eu já cheirei? Meu pai. Cheirei meu pai", disse o músico.
Richards disse que o fato aconteceu em um dos períodos em que estava enfrentando uma das piores fases do vício. "Ele foi cremado e eu não resisti ao ver o pó. Meu pai não teria ligado. Eu fiquei muito bem, e estou vivo".
O guitarrista diz que o fato de ainda estar vivo depois de tantos "excessos" na carreira é pura sorte. "Durante dez anos eu liderei a lista de 'Celebridades que vão morrer'. Sinto muito, mas frustrei eles", disse Richards, que não se considera um "imortal do rock". "Sou igual a todo mundo, só que com um pouco mais de sorte".
(Fonte: Terra)
Domingo, Abril 01, 2007
E então, estamos de volta!
Olá, pessoas!
Após alguns momentos complicados, problemas pessoais... estou de volta.
Peço milhões de desculpas aos que têm (espero que ainda tenham) este blog como uma forma contínua de conhecimento musical renovado. Prometo que isto não acontecerá mais.
Durante este tempo, andei pensando em algumas reformulações para tornar o blog mais dinâmico. Além disso alguns bons amigos me deram algumas dicas de formato, e provavelmente as colocarei em prática.
Bem, espero que entendam este tempo "off-line". Foi necessário.
Abraços e Beijos!
Domingo, Fevereiro 25, 2007
Burning Plague - Burning Plague
Esse realmente ninguém conhece. Burning Plague é belga, do final dos anos 60, que toca blues. Sim, pode achar estranho, mas os caras fazem um som muito bom e que coloca muitas bandas americanas pra trás. Este é o primeiro álbum da banda (omônimo à banda), e único com sua formação original (em 1992 aconteceu a volta do Burning Plague, porém com diferentes músicos).O CD começa com a música mais conhecida do grupo (o que não significa que seja realmente conhecida) chamada A38. Blues, reto, mas com um sotaque belga no inglês. Quem ouve a guitarra, reconhece logo duas claras influências da banda: Jimi Hendrix e Eric Clapton. Há momentos no álbum em que parece que Hendrix é quem toca. A38 não é lenta nem rápida, mas é marcada e mostra como a banda é. Nada de firulas: rock blues do bom, pra quem gosta do estilo.
A segunda música é um slow blues bastante calmo: guitarra setentista, voz rasgada com sotaque inglês e bastante felling pra fazer tudo andar. Bateria e baixo de blues: sem grande destaque, mas faz o necessário para fazer a música ficar boa. O solo desta música é bastante bonito: não é rápido, mas tem uma melodia linda.
Grande parte do disco (que é pequeno, tem somente oito músicas) segue esta linha: blues, seja lento ou rápido. É sim um pouco repetitivo para quem não é fã do gênero, mas para quem gosta é um prato cheio. Esta é uma banda que tem personalidade forte, e dá pra sentir isso no passar das faixas.
Uma música que difere um pouco desta linha é chamada Night Travellin' Man, quinta do disco. Logo de cara, percebe-se que é mais rock'n'roll do que o resto, apesar do blues estar presente na estrutura melódica. Porém a guitarra é mais contínua e faz acordes cheios. Quem gosta de Strokes e Kings of Leon perceberá bastante semelhança no estilo (aliás, como curiosidade: o riff inicial de Red Morning Light, do primeiro disco do Kings of Leon, é bastante parecido com o riff inicial de Night Travellin' Man. Será uma coincidência??). Vale uma ouvida especial nesta música.
Bem, este é um álbum que poucos conhecem, e muitos vão adorar conhecer. É para quem curte rock e blues setentista, bastante disseminado por bandas inglesas e americanas. Além disso, é bastante legal perceber que há coisa bastante boa que ocorre em países onde não imaginamos que possam ocorrer (blues belga??). Não consegui achar um vídeo do Burning Plague. Se alguém souber onde posso achar para publicar aqui, por favor, avise.
..: Stitched Up - Herbie Hancock e John Mayer
Pop Jazz com bastante groove, dançante e gostoso de ouvir. Essa música é do álbum Possibilities, de Herbie Hancock, bastante criticado por alguns críticos e fãs do grande pianista de jazz, por ser um disco predominantemente Pop. Nele Hancock faz duetos com diversos artistas como Carlos Santana, Christina Aguillera e Sting, em músicas inéditas e regravações; mas sempre com um estilo Pop ás interpretações.Esta é a melhor música do disco e a que mais se aproxima do estilo de Hancock. Isso se deve ao fato de John Mayer, seu duo nesta faixa, ser um artista que faz mais ou menos o que Jamie Cullum faz: Pop Jazz. A voz de Mayer é suave e gostosa de ouvir, e percebe-se que canta sem esforço e despretensiosamente.
A música começa só com John cantando e uma guitarra limpa, com tremolo e um pouco de reverb só pra "molhar" o som. A bateria logo entra com uma batida meio funk, meio jazz, mas com intenção claramente limpa e popular: nada de tempos quebrados e batidas fortes no contra tempo, só o bom e velho compasso quatro por quatro; simples e eficiente.
O timbre de guitarra durante a música é algo que merece atenção: limpo, com uma pequena saturação bastante marcante de amplificadores valvulados. Som "quente" e bastante smooth que só os bons amplificadores valvulados dos anos 60 e 70 (e suas réplicas atuais) têm.
Não dá pra deixar de falar do principal: Hancock. Participação discreta na música, somente nas horas necessárias, preenchendo a melodia com suas improvisações de blues e jazz que o fizeram tão famoso. Não espere nada dos virtuosismos de sempre. Herbie está econômico, mas sincero. Ouvindo, parece que faz solos e frases soltas com gosto, com um prazer tranqüilo e sem se preocupar com críticas: e ele pode.
É uma música pra quem quer curtir Pop, mas com uma qualidade bastante alta. Não é jazz na sua raiz, nem blues, mas é bom demais mesmo assim. Vale a pena!
Domingo, Fevereiro 18, 2007
Entrada Para Raros - Teatro Mágico
"Pirateiem meu trabalho". Só pela frase de seu fundador, Fernando Anitelli, é uma banda que merece estar aqui. Em uma época onde existem extensas discussões sobre como a indústria fonográfica deve reagir à troca de arquivos e à mudança de foco de seus negócios, uma banda como o Teatro Mágico coloca à disposição suas músicas via internet e pede para que seus fãs pirateiem seu primeiro CD: Entrada Para Raros. Eles já perceberam que é inevitável, e estão utilizando isso para autopromoção.O Teatro Mágico é um grupo que mistura música, teatro, poesia e elementos circenses. Apresentam-se sempre pintados, fantasiados em um clima de circo. O álbum tem uma estrutura ininterrupta, isto é, a música que se sucede é "complementar" à anterior.
O começo do álbum é bem legal e já mostra o clima de mistura de linguagens que a banda se utiliza. Porém, também já mostra como todo o disco será: violão levando a melodia, sempre em destaque, voz, e percussão e bateria. Algumas vozes dobradas, algumas variações aqui e ali (até mesmo utilizando-se de uma parte "eletrônica"), violinos, flautas, etc etc etc... mas sem grande destaque.
As letras são simples. Ouvi dizer por aí que lembravam Los Hermanos em alguns aspectos. Para mim, nem um pouco. São muito mais simplistas e com músicas bem menos trabalhas (se essa foi a intenção, perfeito). São letras que não lembram em nada a profundidade de Camelo e companhia. Não, por isso, são ruins, só não vale a comparação.
A sonoridade das músicas é bastante POP, principalmente pelo timbre de voz de Fernando. Além disso o formato de violão no "fronte" da melodia ajuda bastante. Vou dizer que, pelo o que tinha lido em alguns lugares e ouvido de certas pessoas, eu esperava mais do som da banda. Não é surpreendente e após ouvir algumas vezes, não acho que traga nada de muito novo. Provavelmente o show deve ser ótimo, com a mistura de elementos circenses e poesia; mas aqui tratamos do CD e do som.
Um exemplo do que digo é a música Uma Parte Que Não Tinha, 16ª do álbum. Ouvindo o começo, parece muito com qualquer música da Fernanda Porto, que mistura o drum'n'bass com violão, guitarra...; isto é, música "analógica" (piano, bateria, etc etc etc; ou seja, música que não é eletrônica).
Não estou aqui para falar mal da banda, nem nada disso. Gostei da música. É gostosa de ouvir, é bem trabalhada, tenta fugir do comum (o que já é uma grande coisa hoje em dia); mas não é surpreendente de forma alguma. Não acho que seja uma banda, pelo menos ouvindo o CD, que tenha uma característica melódica, harmônica ou poética que a diferencie muito de alguma outra. Sinto algumas vezes que a sonoridade é mais POP do que pretendia ser. Alguns elementos misturados fazem parecer que algumas músicas foram feitas para serem fáceis de ouvir, e isso meu incomodou um pouco. Acho que pelo o que lí esperava demais, esperava um "novo" Los Hermanos, ou algo realmente diferente: seja pela letra, melodia, harmonia ou forma de apresentação da música.
Vale a pena ouvir. É gostoso. Tem músicas bonitas. Mas não é surpreendente.
..: Hope There's Someone - Antony And The Jonhsons
Conheci essa música de uma forma nada legal, no enterro de um enorme amigo, há alguns meses. Devido a tal só consegui ouvi-la de novo agora, e pude perceber que a música é maravilhosa e extremamente emocionante, mesmo fora de uma situação comovente como aquela.Antony And The Johnsons é uma banda de NY e esta música faz parte do segundo álbum deles, lançado em 2005, chamado I am a Bird Now. Logo teremos um post sobre ele.
A música é linda (é a única palavra que consigo pensar). Porém, linda não consegue transparecer o que ela realmente nos transmite. É comovente, é emocionante, é gostoso de ouvir, e impressiona pela qualidade, mesmo com uma simplicidade sem igual.
É toda gravada com piano e voz. E não precisa de mais nada. O piano nos leva por uma melodia que é deliciosa, e deve ter sido feita com uma inspiração absurda. A voz é estupenda. O timbre, a forma com que canta, a entonação, e a capacidade de passar a emoção que a música precisa, sem fazer esforço nenhum. É de chorar de bonito. Obrigatório pra quem gosta de boa música. Só uma dica: não ouça depois de um momento muito triste, é choro na certa.
Terça-feira, Fevereiro 13, 2007
Blues on the Outside - Nuno Mindelis w/ Double Trouble
Pra quem não conhece Nuno Mindelis, aqui vai uma pequena introdução: é considerado um dos melhores guitarristas de blues do país, apesar de nascido em Angola (mudou-se para cá bastante jovem). Ganhou fama internacional por sua velocidade ao tocar e seu estilo de guitarra (toca sempre com os dedos, por sinal, sem palheta). Hoje, já faz shows em diversos lugares no mundo, incluindo os EUA (berço do blues e onde, em 1998, recebeu da revista Guitar Player o título de melhor guiatrrista de blues do mundo) e Europa.Neste álbum de 1999 (que considero o melhor de sua carreira) ele toca com uma banda ótima: o Double Trouble (banda que acompanhou Stevie Ray Vaughan durante toda usa carreira). E deu no que deu: formaram um ótimo grupo, e tudo combinou de forma muito harmônica. Segundo Chris Layton , baterista, "It was unreal to work with Nuno Mindelis".
Logo na primeira música, The Grass is Greener (aliás, todas são cantadas em inglês - ponto a menos pra Mindelis), percebe-se o estilo de Nuno. Guitarra simples (aparentemente, tentar fazer igual é um desafio), sem efeitos só mesmo a saturação so amplificador valvulado e o bom e velho som de uma Fender Stratocaster. No solo..., bem, ouça. Aliás, todos os solos do CD são espetaculares: improvisações lindas, e normalmente de cair o queixo. E é aí que o verdadeiro Mindelis se revela: rapidez, sem ser desnecessário.
A quarta música, Walk Away Baby, tem um bom início: o riff inicial de guitarra, bastante tranqüilo e com pouco efeito é bastante bonito. Até que a música ganha velocidade e swing, e a guitarra entra com um pedal wah-wah (quem não sabe o que é, logo perceberá o som de "wha wha wha wha" que a guitarra começa a fazer) e fica um tanto quanto diferente de seu início, mas sem perder qualidade.
Já digo: não espere grandes inovações ou experimentações durante o disco, é somente o puro bom e simples blues. Há claro algumas modernidades, mas é blues, ponto.
É necesário citar duas músicas que são impressionantes, mesmo pra quem não é guitarrista: More Hugs, nona do álbum; e Blues on the Outside, décima terceira. More Hugs impressiona pela velocidade em que tudo é feito. É muito rápido. É muito agitado. Dá vontade de sair correndo. Porém é uma música um pouco cansativa pra quem não aprecia o estilo.
Já Blues on the Outside é rápida também (não tanto quanto a anterior), mas é também agradável, talvez por ser menos dissonante e em uma escala maior blues (papo de músico). O solo de gaita no meio é algo lindo: muito bem tocado e com uma emoção que falta em algumas músicas do CD. Nuno, nesta música, reserva uma surpresa para os brasileiros ouvintes, mas vou deixar pra quem ouvir descobrir. É bem legal ver como ele consegue encaixar perfeitamente uma música na outra.
Bem, cada solo do CD tem sua história e todos deveriam ser ouvidos pois impressionam com a técnica e a capacidade de fazer algo harmônico de improviso, além de serem bonitos em sua maioria.
É um álbum pra quem gosta de blues ou de guitarra bem tocada. Para os outros, vale a pena arriscar, mas pode ser um pouco cansativo pra quem não é amante do ritmo americano, o blues.
..: Yer Blues - The Dirty Mac
Esta é uma banda de um só show, sem disco gravado em estúdio, e que nunca mais se formou de novo. The Dirty Mac é considerada uma superband por um simples fato: reuniu numa mesma banda John Lennon (vocalista e guitarrista dos Beatles) como vocalista e guitarrista; Eric Clapton como guitarrista, Keith Richards (guiarrista e vocalista dos Rolling Stones) no baixo; e Mitch Mitchell (baterista de Jimi Hendrix) na bateria. Preciso falar mais alguma coisa?Se formaram num concerto organizado em 11 de Dezembro de 1968 pelos Rolling Stones chamado Rock'n'Roll Circus (mais pra frente terá um post sobre o CD deste show que é maravilhoso) onde vários artistas participaram: The Who, Taj Mahal, Marianne Faithfull entre outros. E por alí pararam.
O Dirty Mac tocou somente duas músicas em sua maravilhosa "carreira": Yer Blues e Whole Lotta Yoko (com Yoko e a violinista Ivry Gitlis). Yer Blues é uma música dos Beatles (do chamado White Album) que é ótima; porém na versão desta superband ganhou uma energia e uma vitalidade que a original nunca conseguiria ter. Lennon canta como nunca, com uma vontade e um timbre rasgado lindo (talvez por estar numa banda mais rock que sua original). Clapton faz um solo antológico, puro improviso de blues e rock'n'roll, com a cara do slowhand em sua melhor época. Richards flutua pela linha do baixo, fazendo coisas que só um guitarrista faria tocando baixo, que merece ter uma atenção especial quando ouvida (sem desmerecer qualquer baixista). E M. Mitchell é um "dos Hendrix", não preciso falar mais nada.
Bem, o que posso dizer é: ninguém pode passar incólume a essa pérola do rock blues dos anos 60. É, sem dúvida alguma, uma das melhores músicas gravada na época. Obrigatória!
Domingo, Fevereiro 11, 2007
Desculpas...
Devido a problemas, não foi possível postar hoje no blog. Um caso à parte.
Prometo que até terça feira tudo será normalizado.
Só posso adiantar que valerá a espera.
Desculpem-me, meus leitores assíduos.
Obrigado pela compreensão!
Beijos e Abraços!
Prometo que até terça feira tudo será normalizado.
Só posso adiantar que valerá a espera.
Desculpem-me, meus leitores assíduos.
Obrigado pela compreensão!
Beijos e Abraços!
Domingo, Fevereiro 04, 2007
Ao Vivo - Cássia Eller
Cássia dispensa apresentações. Uma cantora divina, cheia de garra e tesão no que fazia, era um exemplo de pessoa e de profissional. Intérprete assumida (só compôs duas músicas que gravou - O Marginal e Eles), cantou músicas de diversos compositores como Caetano Veloso, Marisa Monte, Cazuza, The Beatles, Riachão, Chico Buarque... não dá pra citar todos. Porém, um não pode deixar de ser citado: Nando Reis. Grande amigo e parceiro de trabalho de Cássia, ele compôs diversas músicas especialmente para ela, e chegou a dizer que muitas eram muito melhor quando cantadas pela amiga. Esse CD, chamado Ao Vivo, foi gravado em 1996, seis anos depois da gravação do primeiro disco de estúdio da cantora. É um álbum muito especial, que envolve uma atmosfera e uma sonoridade muito peculiar: voz e dois violões, nada mais. E é aí que entra a genialidade de Cássia e a grande performance dos dois músicos que a acompanham (prometo dizer o nome deles assim que descobrir): as músicas são cheias, completas e com melodias e harmonias muito bonitas e interessantes. Chego a dizer que a versão de Eu Sou Neguinha (Caetano Veloso), terceira música do disco, é a melhor que já ouvi. Os violões fazer mudanças de ritmo lindas e preenchem a melodia de uma forma difícil de ver quando se usa somente dois instrumentos. Os backing vocals são bastante emocionais e enxutos. Tudo isso com uma atmosfera meio rock'n'roll. É emocionante.
Outra canção que chama bastante atenção é Nenhum Roberto (Nando Reis). Um blues bastante agitado e ritmado com uma letra interessantíssima, que chega a ser engraçada em alguns momentos. É bastante surpreendente como sem percussão de alguma os dois violões conseguem dar um ritmo às músicas, de forma muito melhor do que muitos bateristas.
Não se pode deixar de citar as duas últimas músicas do álbum: Metrô Linha 743 (Raul Seixas - Toca Raul!! Desculpem, não me agüentei...) e Coroné Antônio Bento. A versão de Raul feita é muito melhor que a original: tem mais ritmo, mais energia, é mais rock'n'roll, e tem um tesão envolvido que só uma gravação ao vivo pode dar. O solo de violão é algo à parte: blues na cabeça, e com ritmo! Coroné Antônio Bento é um xote, lindo, com uma letra hilária, que vale a música. A interpretação de Cássia é cheia de raiva e de entonações teatrais (menos MTV, mais original). Espetacular.
Não é possível falar de cada música: são todas lindas, e cada qual com sua característica distinta. Cada uma merece um post inteiro. O que posso dizer é que é um disco com quatorze músicas, e todas valem a pena. Dê play e esqueça o controle remoto.
Algo a ser citado que existe em todas as músicas é a grande interpretação de Cássia: sua voz está melhor do que nunca, e sua capacidade de passar a intenção somente através da voz é impressionante. Um show.
Arrisco dizer que é o melhor CD da carreira de Cássia: energia, tesão, potência de voz, liberdade de interpretação, sonoridade única (uma aula pra qualquer Acústico MTV) e músicos maravilhosos. Tem de ouvir! Agora!
..: Tush - ZZ Top
Esse trio texano de blues rock formado em 1969 é, no mínimo, curioso. Basta olhar a foto ao lado, e saberá o que estou dizendo: olhe essas barbas e essas roupas! Têm estilo, não?! Musicalmente, lembra bastante AC/DC, um hard rock, com blues. Porém, ZZ Top é mais blueseiro, mais americano, e tão estiloso quanto. Tush, do álbum Fandango! (1975), mostra bem do que esse trio é capaz. Um rock blues nervoso, com um riff de guitarra bastante autêntico e forte: um soco no ouvido. Quem gosta de rock'n'roll já o ouviu em algum lugar (mas provavelmente não sabia que era dessa música). O riff se repete pela música inteira, e é tão marcante que é bem capaz que você se pegue cantarolando, sem perceber. O solo da guitarra não precisa de comentário: ouça! Dusty Hill, baixista da banda, é quem canta. Sua voz rouca, de bad boy texano, é a cara da música. Um vocalista delicado nunca cantaria Tush (e nem tente!).
O baixo é reto e marcado (na cabeça do tempo), assim como a bateria. Não é nenhuma obra prima melódica, harmônica ou rítmica, mas, quem disse que precisa?! Aliás, quem disse que essa era a intenção!? Não. Tush foi feita pra ser um rock blues bastante rasgado e com uma raiva intrínseca que dá a energia que você sente ao ouvi-la. É isso que atrai e é a marca registrada do ZZ Top: energia de sobra, rock blues rasgado e com personalidade, como só uma banda texana dos anos 70 pode fazer.
Obrigatório ouvir ao menos uma vez. Rock on, babe!
Domingo, Janeiro 28, 2007
Exile on Main Street - The Rolling Stones
Reza a lenda que este álbum, lançado em 1972, foi totalmente gravado no porão da então nova casa de Keith Richards, em Villefranche-sur-Mer, uma vila da Riviera francesa, perto de Nice. A verdade é que parte dele foi gravado durante as gravações de outros dois álbuns da banda (Let It Bleed e Sticky Fingers), parte na casa de Richards na Riviera, e outra parte em Los Angeles, posteriormente.Após álbuns onde brincaram com a psicodelia (Their Satanic Majesties Request e Beggars Banquet) e o rock'n'roll crú (Let It Bleed e Sticky Fingers), os Stones queriam voltar um pouco às origens. Por isso fizeram este álbum: um retorno ao blues, sem esquecer o rock'n'roll. Percebe-se isso claramente em canções como Shake your Hips, um blues blues simples, reto e claro, sem enrolações ou diferenciações: guitarras, baixo, sax e gaita ao fundo, bateria 4 por 4 sem pestanejar. Direto. Assim também se faz em Cassino Boogie, Sweet Virginia, Ventilator Blues e Stop Breaking Down (regravação de Robert Johnson), só para citar algumas. E esse é o clima que permanece no disco.
Há sim exceções. As duas músicas mais conhecidas de Exile são exemplos disso. Tumbling Dice (que poderia ter se chamado Goodtime Women Blues) é um blues, porém mais trabalhado. Começa com um riff de guitarra que se tornou um dos maiores de todos os tempos do rock'n'roll: simples, porém genial. A batida da música é dançante, apesar de reta. Os backing vocals à lá Igreja Evangélica americana são muito bons, assim como os desafinados gritos de Richards e companhia.
A outra conhecida música do CD é Happy, músca cantada por Richards de forma ótima, desafinada, e, no mínimo, original. Ele mostra que pra cantar rock'n'roll de forma competente não é necessario ser afinado, e conhecer técnicas vocais. É preciso ter vontade e tesão no que se está fazendo. A música em si é animada, com a guitarra de Richards ditando o ritmo e a bateria (que não foi tocada por Charlie Watts, e sim por Jimmy Miller) sempre lá, reta, e sem parar um segundo. Rock'n'roll de qualidade (devia servir de aula a algumas bandas novas).
Bem, poderia continuar a falar desse álbum por horas. Além de ser um grande fã de Rolling Stones (quem me conhece sabe) é um disco que cada música tem algo especial a ser comentado. Foi gravado com muita heroína, marijuana, e tesão. É pra quem ainda acha que Stones é Satisfaction e Start Me Up. Ouça e conheça o lado mais blues e rock dos caras. Recomendadíssimo!
..: Wave - Ella Fitzgerald
Ok, eu sei, irão dizer: essa música é tema da "novela das 8". Sim, eu sei. Também irão dizer: e ela não é desconhecida. Sim, isso eu também sei. Porém, alguém já ouviu ela cantada pela Ella Fitzgerald? Isso sim é espetacular.Ella fez um CD tributo a Tom chamado Ella Abraça Jobim, onde canta diversas músicas do mestre em versões um pouco diferentes. Merecerá um tópico todo sobre ele mais para frente. Por enquanto fiquemos com esta canção.
Em Wave, ouvimos uma batida mais lenta que a usual, com um arranjo que valoriza a voz (afinal Fitzgerald é uma das maiores cantoras de jazz de todos os tempos), e uma melodia mais bluessy, digamos. Ella vai passando pela melodia de forma linda, com uma forma de cantar que parece que a música foi escrita para ela. Sem esforço, sem grandes demonstrações de virtuosismo, e sem qualquer pretensão de deixar a música melhor do que é, consegue passar uma emoção ótima ao cantar. Os instrumentistas que a seguem conseguem deixar tudo muito harmônico (guitarra, violão, piano, bateria, sax), cada coisa em seu lugar, sem excessos.
Uma Wave de verdade, que Jobim teria se orgulhado de ouvir. Muito melhor que a versão de Daniel e Luiza Jobim, sem dúvidas. Pra quem quer curtir uma música conhecida, de uma forma diferente (e sem lembrar da abertura da novela).
Domingo, Janeiro 21, 2007
A Bad Donato - João Donato
Poucos conhecem esse pianista, que é um ícone quando falamos de bossa nova e samba (muito conhecido como parceiro de João Gilberto). Já tocou com diversos nomes da MPB, compondo e gravando músicas muito conhecidas, mas que poucos sabem que são dele.Dos poucos que conhecem esse grande artista, uma parcela menor ainda conhece esse CD: A Bad Donato. Todo gravado nos EUA, é um disco que explora muito o jazz e o funk, de forma elétrica (surpreendentemente). Esqueça o Donato de melodias em pequenas células e sons calmos e "acústicos". Aqui, ele demonstra harmonias complexas e eletrificação para dar vazão à sua criatividade e improvisação. Muitos instrumentos envolvidos e muitos efeitos fazem com que as músicas fiquem cheias e tenhamos de prestar atenção para ouvir as maravilhosas melodias. Segundo ele mesmo, todo o processo de gravação foi feito ao vivo, em estúdio, e com muito LSD na cabeça: "Tava na época do LSD, não sei o quê. (...) Eu fiz o disco mais barulhento que me lembro de ter feito". Barulhento, porém genial.
O disco começa com uma música ótima, chamada The Frog. É confusa, mas é ótima mesmo assim. Um jazz funk que define bem o CD. A segunda música surpreende pelo fato da percussão lembrar ritmos latinos, e o tema não ter nada a ver com isso. É uma mistura que, aparentemente, deu certo.
Voltando às origens, Cadê Jodel?, quinta música do álbum, é uma bossa nova eletrificada, com batidas e efeitos bem funky. Dá pra perceber a bossa na melodia do piano e na forma de condução da música, porém as características do estilo param por aí.
Dá pra ficar horas aqui falando de cada música, de cada característica das composições e das gravações. Tudo é muito rico e muito diferente. Experimental, até. Porém paro por aqui e deixo a curiosidade no ar para os que se atreverem a abrir a mente e os ouvidos e ouvirem algo pouco usual, mas que falta à música contemporânea.
Pra quem realmente quer conhecer algo novo, sem preconceito. Pra quem já curte jazz, funk e lattin jazz (ou quer conhecer). Ou só pra quem está a fim de ouvir algo que nunca ouviu, e que provavelmente não ouvirá e outro álbum. Em suma, corra atrás por que vale muito a pena!
..: Suzie Blue - Ben Harper
Homenageando o grande músico Ben Harper, que faz show no Brasil durante essa semana, resolvi escrever sobre uma música que não é tão desconhecida, porém é um tanto quanto fora do estilo que as pessoas conhecem: Suzie Blue.Esta é uma música peculiar. Quem está acostumado com o Ben de Diamonds on the Inside, vai se surpreender. Presente no disco de 1999, Burn to Shine, é um jazzy blues (uma música com estrutura de blues, porém com algumas características melódicas e harmônicas de jazz) bem interessante. Começa com um violão que parece tirado de um vinil da década de 40, tocando acordes de jazz, de forma lúdica. A música vai crescendo e esse ar de anos 40 não acaba. A única coisa que destoa desta época é a voz de Ben, que é muito única e não tem características de jazzman.
A música é deliciosa de ser ouvida. É o tipo de música que não é única, porém é ótima mesmo assim. A mixagem a aplicação de efeitos de som é algo à parte (não são densos, nem numerosos, mas são feitos de forma esplendorosa). Vale muito a pena para quem quer conhecer um Ben Harper novo, diferente do Pop que passa nas rádios e de suas músicas conhecidas. Não deixe de ouvir!
Domingo, Janeiro 14, 2007
Bang Bang Rock And Roll - Art Brut
É nesta "categoria" que Art Brut (Londes, Inglaterra) entra. Não conhecia a banda até semana passada, apesar dela ter tocado aqui no Motomix, antes do Franz Ferdinand, e ter aparecido na capa da Rolling Stone alemã em Setembro de 2005. Já é bastante conhecida pelos fãs de indie rock, e aparentemente já está ultrapassada para aquele pessoal que gosta de ouvir bandas que ninguém nunca ouviu (nem os pais do vocalista).
Este é o primeiro disco da banda, lançado em Maio de 2005 e contém a música Formed a Band, lançada como single no Reino Unido em Maio de 2004. Para ser sincero, nada me chamou atenção em demasia nas músicas. São rocks crus, simples, estilo anos 70. O vocalista tem um sotaque britânico fortíssimo, que chega a parecer forçado em alguns momentos (lembra Morissey). O som chega a ser tão simples que o disco inteiro parece ter sido gravado em uma semana.
O disco tem logo de cara a música Formed a Band que, de tão simples, chega a ser engraçada. Pra se ter uma noção, o refrão da música é "Formed a band, we formed a band. Look at us, we formed a band." repetido quatro vezes. Infantil, mas sincero pelo menos. A melodia e riffs e guitarra não são nada trabalhados, mas bons. Percebe-se isso bastante na segunda música, chamada My Little Brother, que começa com uma guitarrinha bem frenética e repetitiva com um timbre à lá anos 60 (lembra Strokes também).
Ouvindo-se o CD percebe-se que não há uma mudança no estilo das músicas. São todas bastante parecidas, e isso faz com que ele se torne cansativo. Se você começou com a primeira, chegando na sétima não se sabe mais em que música está. Perdeu-se a atenção na música devido a essa repetição de estilo. Não consegui ouvir o álbum inteiro de uma vez só. O som é bom, mas o vocalista é cansativo demais: o sotaque, a falta de ritmo e o timbre de voz me fazem querer parar de ouvir uma música no meio.
A 12ª música pode ser ressaltada nesse marasmo: 18.000 Lira. É um rock bastante rasgado, puxado pro punk. Foi a primeira música que ouvi da banda e me chamou muita atenção. Não é cansativa, é bastante direta, e (surpreendentemente) o vocalista parece ter mudado de uma hora pra outra: vocal mais reto, com menos sotaque, e com um timbre que lembra a boa época do punk rock. Corrí atrás do álbum esperando ouvir coisas deste gênero, porém me decepcionei.
Em suma: é (mais uma) banda de indie rock, com o pé nos anos 60 e 70, rock reto, pouco trabalhado (chega a dar a impressão que foi feito às pressas). Apesar disso, o som é bom e poderia ser muito mais interessante se tivesse outro vocalista: timbre de voz chato e sotaque britânico extremamente carregado.
Vale a pena ouvir? Sim, ao menos uma vez. Essencial? Não.
..: She is Love - Oasis
Despretensiosa. Sei que esse termo soa paradoxal quando falamos de uma banda como o Oasis, que tem como fama uma pretensão imensa, problemas internos e com outras bandas, além uma soberba inigualável.Mesmo que de forma estranha, ao ouvir She Is Love (lançada como Single e também no disco Heathen Chimestry), percebe-se uma música simples, sem grandes intenções de inovação e de melodias apuradas. É uma música basicamente com violão, voz, percussão, e teclado. Isso faz com que a música seja descomplicada e gostosa de ouvir, fácil de ser gravada. Em resumo, é uma música "bonitinha". O que ajuda também é o fato do vocalista da música não ser Liam (com aquela forma de cantar e timbre de voz inconfundíveis), e sim Noel Gallagher (guitarrista da banda e compositor desta música). Isso faz com que o vocal seja mais suave, menos estridente e cansativo. Porém, também deixa a música com menos personalidade, isso é um fato. Quem nunca ouviu, pode duvidar que se trata de Oasis.
Curiosidade: a canção foi composta para a namorada de Noel, em 30 minutos, em um dos quartos do hotel Buckingham Gate, em Londres.
Para quem quer uma música gostosa, sem idéias mirabolantes nem grandes pretensões. Divertida, suave, e POP. Um Oasis diferente.
Domingo, Janeiro 07, 2007
Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes - Soundtrack
Após uma pequena porém significativa pausa devido ao final de ano, volto a escrever no meu querido blog e para meu pequeno (espero que por enquanto) público. Passada essa abrupta felicidade conjunta e a grande crise de consumismo que a todos afetam, voltamos a falar do que interessa: música. Começo o ano escrevendo sobre uma trilha sonora de um filme que amo: Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, do Guy Richie. Um filme inglês, com humor ingles, atores ingleses, à lá Tarantino e com uma trilha que é de arrasar, que vai de The Stooges até Dusty Springfield.
O disco começa com uma música ótima da banda Ocean Colour Scene, chamada Hundred Mile High City. Uma guitarra nervosa com uma saturação bastante característica, começa em um riff simples porém marcante. Música ótima. No decorrer do disco nota-se uma variação de tipos de música que deixa a audição muito mais gostosa. Logo depois aparece James Brown, com um funk bastante "gangsta", chamado The Boss. Lento, com muito groove e característico. Há também outra música de Brown no disco, chamada The Payback, essa bem mais animada e mais funkeada. Pra dançar.
Outra música que vale a pena ser destacada e que mostra como esta é uma soundtrack eclética é a I Wanna Be Your Dog, do The Stooges. Guitarra distorcida, voz inconfundível de Iggy Pop e ritmo quadrado, punk. Pena que da banda, só essa.
Uma música surpreendente é a Man Machine. Admito que gostei da música no filme a não fazia a menor idéia de quem era. Quando ví no CD que era de Robbie Willians, tive de dar o braço a torcer: ele não faz só coisas ruins. Uma rock pop bem honesto, digamos.
Além disso temos músicas que provavelmente se não fosse por este disco, poucos conheceriam (e seria uma grande pena se isso acontecesse, pois são ótimas): Spooky, de Dusty Springfield; 18 With A Bullet, de Pete Wingfield; Liar Liar, de Castaways; Why Did You Do It, de Stretch; além de algumas outras, que deixarei no ar pra vocês descobrirem.
Vale, por último, citar uma música chamada Zorba The Greek, de John Murphy & David Hughes, que é ótima! È uma música tipo grega, que começa mais lenta, só com um violão, e vai crescendo, crescendo, ficando rápida, e cheia de instrumentos! Nossa, é, digamos, eletrizante.
Essa trilha tem diferentes versões. Recomendo a que tem algumas falas do filme intercaladas com a música. Pra quem viu essa obra prima ajuda a lembrar de algumas ótimas cenas enquanto ouve-se o CD.
Portanto é isso: duas dicas em um só post: vejam o filme e ouçam a trilha. "If you hold back anything, I'll kill ya. If you bend the truth or I think you're bending the truth, I'll kill ya. If you forget anything, I'll kill ya. In fact, you're gonna have to work very hard to stay alive. Now do you understand everything I've said? Because if you don't, I'll kill ya."
..: Tema dos 18 - Fuzuê
Essa música muito poucos (e quando digo muito poucos, é bastante verdade) devem conhecer. Música de uma banda que os mesmos muito poucos conhecem, a Fuzuê, é um jazz animado e muito gostoso de ouvir. Bem, primeiro uma breve descrição da banda: formada por três jovens músicos (Paulo Paes - guitarra; Meno Del Picchia - baixo; Alexandre Lora - bateria) que tocam jazz de uma forma muito gostosa de ouvir e animada. Esqueça o chamado "cool jazz", não é com eles. Misturam musica brasileira e fazem algumas releituras ótima de standards.Conheci a banda há algum tempo quando eles se apresentavam num bar que vou muito: o Teta Jazz Bar. De lá pra cá, sempre que eles tocam lá, tento ir por que é muito bom.
A música em questão é um jazz bastante animado, composto, segundo me consta, pelo baixista da banda. O que mais gosto nela é o tema e as improvisações sobre o mesmo. A forma da música em si não tem nada de muito diferente de um jazz standard. Mas é muito gostosa de ouvir, e não perde nada pra grandes temas do jazz que já conhecemos. Outra questão bastante interessante é a forma com que a música acaba: "desconstruindo" o tema, isto é, tocando-o cada vez com uma nota a menos, até acabar por completo. Muito legal, muito interessante, vale a pena ouvir.
Quem quiser conhecer mais do trabalho da banda, clique aqui: este é o site do guitarrista Paulo Paes. Lá tem músicas da Fuzuê para serem baixadas, todas valem a pena. Quem quiser baixar o Tema dos 18, clique aqui. Ouçam a banda, tenho certeza que vão adorar. É de gente nova que a música ta precisando.
Domingo, Dezembro 10, 2006
Ninguém - Arnaldo Antunes
Mas quem é Arnaldo Antunes, alguns se perguntam (sim, tem gente que nem imagina quem seja). Arnaldo é um dos Titãs, sim! Foi ele quem primero saiu do grupo, antevendo o que aquilo virou depois de algum tempo (com todo respeito à história da banda, que ajudou muito no rock nacional). Depois Nando Reis saiu e o Titãs virou o que virou. Sem comentários.Bem, Arnaldo saiu da banda pra fazer um som mais conceitual. Lançou seu primeiro disco, chamado Nome, em 1993. E então, em 1995 continuou seu experimentalismo de música eletrônica, anti-convencionalismo e letras provocadoras, e lançou Ninguém.
Este é um disco, no mínimo, diferente do que a maioria já ouviu. Arnaldo Antunes mistura batidas eletrônicas, guitarras distorcidas, e letras muito diferentes, quase sempre inspiradas por sua grande paixão: a poesia concreta. E isto ja é percebido logo de cara, na primeira música do disco e que dá o nome ao mesmo: Ninguém. Não tem muito como descrever a música, só ouvindo. A letra é completamente diferente, não faz um grande sentido lógico e não conta uma "história" como a maioria das letras. E é isso que faz o álbum de Arnaldo fantástico: a mistura de sons ótimos, melodias lindas e letras completamente complexas (e algumas até desconexas). Nesta linha, ouça também "O nome disso", terceira música.
Ouvindo o álbum, você vai se surpreendendo. Tem gente que vai ouvir e dizer: "isso é um absurdo! Como alguém faz uma música com uma letra sem sentido algum!?". Bem, experimentalismo e poesia concreta. Isso é o que faz o CD algo bastante interessante e valido: ele sai do lugar comum, traz coisas novas e ajuda às pessoas a verem lados diferentes da música e da poesia. Talvez a grande amostra disso seja a música "Minha meu". Ouça... é surpreendente.
Também há músicas mais "comuns" (lembrando que comum para Arnaldo não é normal, nem previsível). "O seu olhar", nona música do CD, é linda... uma balada com uma linha melódica que é emocionante, cantada em dueto com uma voz feminina fantástica (prometo postar o nome da cantora aqui assim que descobrir). "Judiaria", 11ª música do álbum, é Lupcínio Rodrigues em um rock com uma guitarra pesada. Impressionante. Lindo. O melhor "chega pra lá" que alguém pode dar. Ouça. Não podia passar sem comentar "Alegria", talvez a música mais conhecida desse álbum. Maravilhosa.
Poderia ficar aqui horas falando sobre cada música desse disco, mas o melhor a fazer é ouví-lo. Poderia gastar palavras e mais palavras, todas sem conseguir expressar o que cada música de Ninguém é: as músicas não são pra serem descritas. São para serem ouvidas com atenção e sem preconceito. É a isso que esse álbum do Arnaldo vale: quebrar preconceitos e paradigmas, e mostrar que dá pra fazer música de uma forma diferente, não comercial, e ótima.
..: Lágimas Sofridas - Los Hermanos
Essa é pra quem acha que o primeiro disco dos Los Hermanos é feito de diversas "Annas Julias". Lágrimas Sofridas é uma música que mostra bem o que é o CD, denominado Los Hermanos: música com metais diversos (trompete, trombone, etc), guitarra pesada, mas ritmada ao mesmo tempo, bateria reta e forte, e um vocal bastante nervoso.Ao contrário da grudenta e chata Anna Júlia, Lágrimas Sofridas não é clichê. Mostra como Marcelo Camelo já começava a produzir letras que são, no mínimo, diferentes (minha opinião: esplendidas). Ele usa palavras pouco usuais, ainda mais para bandas de rock e ska (como era o Los Hermanos no início de carreira). Além disso, já mostra como a banda é dada à mistura de ritmos e estilos diferentes, o que veio a culminar nos CDs posteriores, que são de forma crescente, digamos, "inclassificáveis".
Vale a pena ouvir Lágrimas Sofridas. Se você não gostar, pelo menos tirará da cabeça a idéia de que Anna Julia é Los Hermanos no início.
----> Curiosidade: Racional Remixado
Um dos discos mais cobiçados por produtores e colecionadores, e muito conhecido por fãs de Tim Maia, Racional (lançado originalmente em 1975) foi remixado por alguns artistas como Max de Castro, Dj. Mau Mau, entre outros. Disco recém lançado pela Trama. Vale esperar, ouvir e ver no que deu. Mais um pra lista!
Domingo, Dezembro 03, 2006
Fire and Water - Free
Fiquei aqui pensando sobre o que escrever no segundo post do blog. Não queria escrever sobre jazz, já que o primeiro foi sobre o Secrets, do Hancock; não queria que as pessoas que visitam aqui pensem que é um blog musical voltado somente ao jazz. Resolví então ir pro lado quase oposto... quase.
Comecemos primeiro falando um pouquinho da banda e o cenário musical da época. Free é uma banda inglesa, da década de 60/70 que toca o que, na época, era auge: rock blues. Com grandes representantes ingleses nesse estilo (Eric Clapton, The Rolling Stones, Led Zeppelin...), era um estilo que crescia e ganhava muita força. Tinha diferentes vertentes, é verdade, do blues mais crú, calmo e puxado pro "traditional"; ao mais pesado, com guitarras e riffs mais marcantes, puxando pro rock. E é neste último que a banda Free se encaixa.
Com formação clássica de vocal-guitarra-baixo-batera, é uma banda que explora muito o timbre de guitarra mais saturado, com riffs simples, e um vocal mais "rasgado", digamos. Quem ouve reconhece um pouco de Zeppelin, um pouco de AC/DC, Bad Company talvez (aliás, é uma banda que advém da Free, dado que o vocal Paul e o batera Simon se juntaram à ela).
O CD, de 1970, é o terceiro da banda. Curto, tem somente 7 músicas, mas marca muito o estilo que o Free tinha. Logo de cara, começa com uma música que é ótima (e dá o nome ao disco): Fire and Water. O riff de guitarra é bastante direto e mostra como os caras se comportam em estúdio: o básico, curto e grosso, mas bom. Sem solos intermináveis e mirabolantes, sem coisas de cair o queixo. A música termina de uma foma um pouco inesperada, com o vocal e um solo de bateria. Acho que o único problema é que parece que vai "decololar", que vai, no meio, "abrir" o som e ficar mais forte; mas isso não acontece. Fica-se com um gosto de "acabou?". Mas é uma ótima música.
Essa sensação, ao que percebi, acompanha o disco. Parece que ele começa calmo (forte mas calmo) e que vai chegar uma hora em que explode; mas não acontece. Não é um disco ruim, ou sem energia, longe disso. Mas não espere música rápidas, ou pancadas como Zeppelin. Acho que talvez esse seja o grande ponto fraco do disco (ou talvez somente o estilo da banda). Remember, terceira música do disco, podia ser mais empolgante... tem um potencial imenso, mas parece que ficou um pouco "presa".
Porém, ao final, parece que um pouco desta energia presa se solta, a calmaria sai um pouco de cena, e temos o grande hit: All Right Now. É, sem dúvida alguma, a música mais conhecida da banda, e que muitos já ouviram mas não faziam a menor idéia de quem a compôs. Tem um riff simples, mas bastante rasgado (talvez seja a "fórmula" de sucesso da música... como a exemplo de Smoke on the Water, do Deep Purple). A bateria é marcada. Quem ouve, lembra de AC/DC logo de cara. É um hit sim, mas é ótima. E o disco merecia um fechamento destes.
..: If I Had Possession Over Judgement Day - Robert Johnson
Este "rapaz" merece um post inteiro sobre suas (poucas, infelizmente) músicas gravadas, mas por hoje, só pra dar um gostinho, falarei desta música que tem um slide na guitarra que é impressionante, e um ritmo que faz qualquer um ficar batendo os pés.Muitos já regravaram esta maravilha, e talvez a versão mais conhecida seja a de Sir Eric Clapton. Mas nada substitui a original, gravada em um quarto de hotel, só com um violão. Um ar meio demoníaco, um som bastante "sujo", e uma capacidade de tocar e cantar que impressiona até mesmo "slow hand" (como é conhecido Clapton), que quando fez um disco de tributo a Johnson teve de ensaiar e ensaiar algumas músicas por dias pra poder tocar de forma "similar".
Pra quem gosta de blues de raiz, bom e velho, sujo e de preferência com um Jack Daniels do lado. Pra quem quer algo mais moderno, sugiro ouvir a versão do Clapton, no disco com DVD chamado Sessions For Robert J. (ou qualquer versão ao vivo da música). Só não vale não ouvir esta pérola!
Domingo, Novembro 26, 2006
Secrets - Herbie Hancock
14º álbum desse fantástico pianista de jazz, lançado em 1976, Secrets é um pouco diferente do que os anteriores, apesar de ser uma "evolução" natural.Diferentemente de outros álbuns, ele lida um pouco mais com o 'eletric funk' e o fusion, apesar de ser um pianista conhecido por ser jazz. Mas, como é um artista que se reinventou muito até hoje, é natural a mudança.
A primeira música do disco é fantástica e já mostra para o que veio, com diversas variações e improvisações sobre o tema. É delicioso de ouvir! Porém alguns podem achar a música um pouco repetitiva. Apesar da vertente funk, Hancock não deixa de ser um pianista de jazz, o que faz com que, quem não está acostumado com o estilo, ache que tudo é um pouco igual (já que o jazz é feito de variações sobre um mesmo tema). Para mim, essa música vale cada segundo de audição.
O disco, em seu desenvolver, melhora. No "lado B" (isso é pra quem está acostumado com vinil), as composições vão se tornando mais criativas porém mais voltadas ao jazz. Pra quem não gosta muito, pode achar cada música um pouco comprida demais. Isso é estilo, e Hancock faz isso como ninguém.
A banda que o acompanha é fantástica. Os poucos registros de vocal são ótimos, mas poderiam ser mais freqüentes.
Em resumo, é um CD que vale a pena, mas não pra quem quer conhecer o Herbie que fez sucessos como Cantaloupe Island ou Watermelon Man. É um disco pra quem ta afim de ouvir algo diferente, com outra vertente, com muito 'wha wha' e pianos elétricos, além do groove do funk.
..: In My Time Of Dying - Led Zeppelin
Essa música, que está no álbum duplo Physical Graffiti, é uma composição explendida. Está repleta de riffs de guitarra característicos de Jimmy Page, e é uma benção pra quem gosta de rock'n'roll. São tantos os riffs e tão bem feitos, que seria possível fazer músicas inteiras baseadas em cada um. Posso ouvir a música por horas sem cansar. A bateria é ótima, assim como o baixo, que é marcado e faz seu papel. O vocal não precisa de comentários.Além disso, a música tem uma dinâmica incrível, que só é possível devido aos seus 11:06 minutos. É fantástica a forma com que ela modula seu volume e pegada, deixando cada parte com um intenção completamente diferente da anterior. É uma aula pra quem curte rock curto e grosso. Nunca ouviu? Tá perdendo tempo!
Sexta-feira, Novembro 24, 2006
O Papo é Música
Olá a todos! Bem vindos ao mais novo blog de música da web.
Sim, há muitos, mas tentarei ser mais assíduo, menos parcial, e, em suma, diferente. A diferenciação nesse mundo em que tudo virou mercado é essencial!
Vou tratar de coisas novas. Não necessariamente recém lançadas... mas que as pessoas normalmente pouvem pouco, ou sejja: novas para nosso ouvidos. Podem ser discos dos anos 60, ou artistas de 2008... não importa... sendo interessante (não necessariamente bom), vai estar aqui.
Algumas coisas serão fixas, outras aparecerão de vez em quando.
Sempre terá uma "review" de algum CD, falando sobre o tipo de som, influências, quando foi gravado, o que tem de especial, etc e tal.
Também sempre terá uma "review" sobre uma música interessante. Não falando do CD, nem do artista, da música em sí.
De vez em quando curiosidades...
Mas pra não deixar a vida previsível..., passem sempre por aqui pois tentarei ter surpresas o tempo inteiro.
Hasta luego!
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